Início da tarde em Moscou. Jorge Sampaoli voltava da academia do hotel das delegações das seleções classificadas para a Copa do Mundo quando cruzou com a imprensa brasileira que estava à espera de Tite. Uma simples intervenção virou um longo bate-papo sobre futebol, interrompido apenas por um abraço do treinador brasileiro.

Em meio a 10 jornalistas, o técnico da Argentina revelou que teve sete propostas para trabalhar no Brasil, e, em uma delas, recebeu em mãos um contrato em branco para assinar.

– Eu sempre fui mais reconhecido no Brasil do que na Argentina. O Flamengo tentou quatro vezes me contratar. O Corinthians duas. O São Paulo me deu um contrato em branco, mas eu estava na seleção chilena – comentou, antes de assegurar que adoraria trabalhar no país.

Sorridente, Sampaoli recusou gravações, mas levou a resenha adiante. Para ele, o grupo da Argentina na Copa do Mundo é mais difícil que o do Brasil, mas ele não aceitaria trocar com seu rival sul-americano porque, em sua visão, a Seleção de Tite poderá ter desafios mais duros das oitavas de final em diante.

No sorteio da última sexta-feira, os argentinos ficaram no Grupo D, com Islândia, Croácia e Nigéria. Para Sampaoli, os croatas “são muito fortes” por terem o melhor meio-campo do mundo, com Kovacic, Modric e Rakitic.

E o Brasil? Está no Grupo E, com Suíça, Costa Rica e Sérvia. O técnico surpreendeu ao falar sobre o possível cruzamento no mata-mata.

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– Acho o México muito mais difícil para o Brasil do que a Alemanha.O nível da Alemanha não é mais o mesmo. O Brasil está muito acima da Alemanha, atualmente.

Por que Sampaoli gosta tanto da Seleção? A possibilidade de escalar Neymar, Willian, Coutinho e Gabriel Jesus fascina. Casemiro também recebe elogios, assim como os laterais. E os olhos do argentino brilham ao falar de Fernandinho. Não é à toa. Seu modelo de futebol atual é o Manchester City de Pep Guardiola, onde o volante brasileiro é um dos protagonistas.

Tite e Sampaoli se abraçam em hotel (Foto: João Ramalho / GloboEsporte.com)

Na Seleção, embora Fernandinho esteja caminhando para jogar mais adiantado, por enquanto ele ainda disputa posição com Casemiro. É possível jogarem juntos, Sampaoli?

– Depende do que quer o “Profe”. Se ele quiser soltar bastante seus laterais, pode precisar de dois mais seguros no meio, Casemiro e Fernandinho. Eu usaria.

O “Profe”, no caso, era Tite, claro.

Sampaoli não foi só elogios. Da final da Libertadores ele não gostou. O Lanús, segundo ele, não tinha nível para estar na decisão, e o Grêmio não pratica seu estilo de futebol preferido.

– É claro, reconheço o bom funcionamento, mas foge da essência que gosto no futebol brasileiro.

Sampaoli diz que seleção argentina precisa funcionar em torno de Messi (Foto: AP Photo/Victor R. Caivano)

E sobre a Argentina, Sampaoli não falou? Falou sim. Disse que sua linha defensiva, de três ou quatro homens, vai variar de acordo com o adversário. Contra o Brasil, por exemplo, que joga com três atacantes e Neymar aberto, ele precisa usar linha de quatro atrás.

Voltou a citar Messi como o núcleo, o elemento em torno do qual ele precisa acertar a equipe. E quando o papo se encaminhou demais para um suposto Brasil x Argentina, ele limitou-se a dizer que adoraria ver essa final na Copa do Mundo, aproveitou o gancho e se despediu.

Sorridente, com um aperto de mão em cada jornalista.