Confúcio Moura Ex-Governador

Ex-governador Confúcio Moura (MDB) entrou em desespero porque não poderá disputar o Senado e passou a atacar o senador Valdir Raupp  e históricos dirigentes emedebistas, como Tomás Correia.

Na verdade, ele vem colhendo o que plantou.

Na época em que era governador, Confúcio procurou manter distância do MDB e do senador Valdir Raupp. Ele compôs seu governo da forma que bem entendeu. Não pediu opinião a ninguém e limitou ao mínimo possível indicação de emedebistas para cargos no Executivo. Governou com amigos e parentes. Hoje não tem aliados na Executiva do partido nem entre os convencionais que vão decidir quem será ou não candidato.

Desde o início deste mês, Confúcio Moura passou a ameaçar o senador Valdir Raupp  que, após ouvir os dirigentes emedebistas e aliados, e também com base em pesquisas internas e análises políticas, chegou à conclusão de que, embora estejam em disputa duas vagas para o Senado, o eleitor rondoniense não votaria nele e em Confúcio. Um dos dois perderia. Talvez os dois.

Pragmático, Raupp entende que a melhor forma de acomodar as pretensões políticas é reservar para o ex-governador uma vaga à Câmara Federal. Raupp sabe que com Confúcio disputando uma das duas vagas ao Senado, ele e o ex-governador podem não ser eleitos.

No dia 2 de junho deste ano, em seu blog, Confúcio Moura ameaçou o senador, prometendo que vinha dinamite por ai. A tentativa pública e explicita de  chantagear Raupp só fez azedar ainda mais as relações entre os dois.

Então, agora, Confúcio passou a imitar os métodos que ele sempre condenou quando o alvo era ele: passou a chamar Raupp de bandido e covarde, termos, aliás, exaustivamente usados pelo seu adversário Hermínio Coelho para defini-lo.

A situação chegou a este ponto devido ao próprio Confúcio. Quando era governador, ele dizia que a prioridade seria eleger Raupp senador. Por mais de uma vez disse que permaneceria à frente do Governo, que não sairia candidato. Na última hora, mostrou que era blefe e lançou-se candidato ao Senado sem consultar ninguém do partido.

Na gravação que veio a público neste sábado, sai da boca do próprio Confúcio a declaração de que nunca deu muita atenção ao MDB e aos seus dirigentes e membros, a quem agora terá de recorrer se quiser insistir numa mais que improvável candidatura ao Senado. Ele diz também que  foi a Brasília queixar-se ao Diretório Nacional de que está sendo vítima de um golpe. Ocorre que os caciques nacionais do MDB – também desprezados pelo então governador – estão com Raupp.

CONSELHO DE PIANA

Distante do partido que sempre usou para se eleger mas com quem sistematicamente recusou a compartilhar poder, Confúcio ouve apenas os parentes e uns poucos cupinchas de sua administração.

No caso da vaga ao Senado, seu conselheiro, por mais incrível que possa parecer,  foi o  ex-governador Oswaldo Piana, que chegou ao Palácio por um acaso da política: Olavo Pires foi assassinado dias depois de vencer o primeiro turno da eleição para governador de Rondônia em 1990. Com isso, o segundo turno foi disputado entre Valdir Raupp e Osvaldo Piana, segundo e terceiro colocados respectivamente. Piana, que já estava fora da eleição, disputou o segundo turno e ganhou de Raupp. E o resto é história.

Pois foi justamente com Piana, considerado o  pior governador de Rondônia em todos os tempos, só rivalizando com José Bianco, que Confúcio Moura foi buscar conselho sobre seu futuro político. Piana lhe disse, suspostamente falando de experiêcia própria, que era agora ou nunca. Ou Confúcio saia candidato ao Senado ou perderia uma oportunidade que talvez nunca mais se repita.

Piana falava do ostracismo ao qual foi relegado após deixar o Governo e que isto teria ocorrido porque abdicou de disputar as eleições seguintes, acabando no esquecimento.

PERDEU A COMPOSTURA

Neste fim de semana veio a público um áudio compartilhado pelo governador Confúcio Moura em grupo de WhatsApp em que ele fala cobras e lagartos de Raupp, numa clara tentativa de intimidar o senador e assim obter a vaga para o Senado. Mas a manobra pode piorar ainda mais a situação do ex-governador. Como não existe candidatura nata, e Confúcio não possui apoio nos diretórios e entre os convencionais, ele pode se ver preterido até da vaga para deputado federal.

Confúcio, aliás, não possui sequer a condição de elegibilidade, pois seu nome deverá constar da relação dos gestores com contas reprovadas. A lista será encaminhada pelo Tribunal de Contas de Rondônia ao Tribunal Regional Eleitoral.

As contas rejeitadas pelo TCE referem-se à época em que Confúcio Moura foi prefeito de Ariquemes. O  ex-governador vem lutando no Tribunal de Justiça para obter uma liminar que retire seu nome do rol dos possuidores de contas rejeitadas, mas não tem obtido sucesso.

Fonte: Tudo Rondônia