Pauta inicial reivindicava redução no preço do diesel, mas escalada da greve atraiu outros grupos

No vídeo, que se espalha por grupos de caminhoneiros no WhatsApp, o homem manda o recado em frente a uma impressora industrial que mostra centenas de adesivos prontos para serem colados nos vidros dos veículos.

Em outro vídeo caseiro gravado em São Paulo, em meio a uma sequência de caminhões que bloqueavam uma rodovia, um motorista grita: “Representando o caminhoneiro brasileiro, o transportador de carga. Aqui tem brio, aqui tem sangue. (Estamos) parando São Paulo, parando o Brasil e indo para Brasília destituir os três poderes corruptos. Intervenção militar já. O povo está cansado de sustentar estes corruptos. Aqui é patriota.”

Chegando ao quarto dia, com reflexos em abastecimento e transportes de pelo menos 15 estados, mais o Distrito Federal, a greve organizada por caminhoneiros extrapolou sua pauta inicial, concentrada na exigência da redução nos preços dos combustíveis, e vem ganhando pleitos difusos – incluindo o discurso anticorrupção, que inclui vozes em apoio à intervenção militar, vindo tanto de dentro quanto de fora do grupo.

A BBC Brasil entrou em cinco grupos fechados criados em redes sociais por caminhoneiros para difundir informações sobre a greve. Em todos eles, frases de apoio a militares começaram a ganhar força nos últimos dias.

“As reações à greve dos caminhoneiros, amplamente apoiada pela população, demonstram que o brasileiro está sem paciência alguma com as ‘autoridades’. As condições são ideais para uma verdadeira revolução que refunde o Brasil. Mas onde está a liderança desse processo? Escrevam no para-brisa dos caminhões e carros. Intervenção militar!”, diz uma das mais replicadas.

Em tradicionais grupos militaristas do Facebook, como um chamado “Eu apoio o general Mourão”, uma transmissão ao vivo feita em Minas Gerais, na última quarta-feira, mostra um caminhão coberto por uma faixa verde amarela com a frase “Intervenção Já”. “Nós vamos derrubar este governo do crime”, diz um dos narradores.

Outro, gravado no Rio Grande do Sul, mostra uma faixa de 60 metros aberta em frente a uma sequência de caminhões estacionados. Eles também pediam o fim do atual sistema democrático no Brasil.

Fonte: BBC Brasil